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  Realidad y ficción  Revista Lindaraja. Revista de estudios interdisciplinares  ISSN:  1698 - 2169  
 

 

Revista Lindaraja

 

 

Revista Lindaraja. nº 23

13 de agosto de 2009.

 

 

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ELNORA GONDIM

    

RAWLS: JUSTIFICAÇÃO  COHERENTISTA E PLATÃO.

RAWLS: COHERENTIST JUSTIFICATION AND PLATO.

ELNORA GONDIM

 Artículo en Word

Resumo: Rawls vai defender um procedimento político que não nega a realidade, mas que através do discurso pode-se chegar a uma razão publica compartilhada. Platão, por sua vez, tem um procedimento que articula a teoria e a pratica. Neste trabalho o que nos interessa é saber se Rawls, ao tentar responder a questão de igualitarismo político através do reconhecimento público entre cidadãos com uma justificação coerentista, o faz através dos moldes da filosofia de Platão.

Palavras-chave: Rawls, Platão, procedimento

 

Abstract: Rawls goes to defend a procedure politician who does no deny the reality, but that through the speech he can be arrived at a reason he publishes shared. Plato, in turns, has a procedure that it articulates the theory and practices it. In this work what in the interests is to know them if Raw, when trying ls to answer the igualitarism question politician through the public recognition between citizens with a coherentist justification, he makes it through the molds of the philosophy of Plato.

Key-words: Rawls, Plato, procedure.                                         

 

 

INTRODUÇÃO

       Argumentar em favor ou contra se tal ou outra teoria se utiliza de algum tipo específico de justificação é algo complexo, porquanto nem mesmo se tem um conceito único de justificação epistêmica nem de coerência. No entanto, observa-se que após o artigo É o Conhecimento Crença Verdadeira Justificada? tem-se a necessidade de explorar teorias que tratam das causas ou produções da crença tanto em se tratando de epistemologia quanto moral. Depois do artigo de Gettier, é inconcebível que não se coloque como problema à questão de justificabilidade das crenças. Portanto, tornou-se condição fundamental saber de que forma determinado teórico moral procede para construir sua teoria. Pode-se afirmar, plausivelmente, que os coerentistas em teoria moral consideram que uma crença foi justificada quando eles crêem em alguma proposição moral justa, que é, também, coerente com outras crenças dentro de um mesmo sistema. Estas outras crenças podem incluir crenças morais sobre casos particulares, princípios gerais morais, crenças não-morais sobre a natureza humana, instituições sociais, princípios econômicos, etc. A justificação moral das crenças coerentistas não requer que uma crença seja conhecida ou comparada como critério geral para outras crenças. Neste sentido, pode-se perguntar: a justificação utilizada por Rawls em sua teoria é do tipo coerentista?

       Não se vê em nenhuma obra de Rawls alguma afirmação em defesa do coerentismo. Contudo, em muitas passagens dos seus livros, tem-se constatado que o autor do O Liberalismo Político aponta uma tendência para este tipo de justificação.

      Para vários autores[2], o método do equilíbrio reflexivo rawlsiano é uma forma de coerentismo moral. Segundo Rawls, o método adequado supõe começar por sujeitos em uma relação intersubjetiva, formulando princípios gerais e revisando tanto os princípios quanto as crenças até alcançar um equilíbrio. Sendo assim, a base de justificação rawlsiana é aquilo que é publicamente aceitável. Com isto, Rawls visa mostrar como sua concepção política pode ser estável em face do pluralismo razoável, ou seja, como diferentes doutrinas compreensivas[3] seriam capazes de aceitar uma concepção de justiça e de que maneira isto poderia ser justificado de acordo com as razões afirmadas no interior de cada visão abrangente.

     Nesta perspectiva, tratar-se-á aqui de como Rawls ao construir a justificação coerentista para a justiça como eqüidade, mais precisamente, se ele ao construí-la, em que medida a teoria filosófica de Platão foi um suporte teórico considerado para tal fim.assim, é coveniente ressaltar que no presente não é nosso intuito esgotar os conteúdos nem da teoria platônica nem da rawlsiana; apenas, se possível, apontar para uma semelhança que, para nós, parece fundamental para se entender até que ponto a justificação epistêmica vista na justiça como eqüidade pode ter sido corroborada pelo procedimentalismo de Platão em se tratando do coerentismo.

   A presença do caráter holístico na justiça como eqüidade faz parecer que esta tenha certa semelhança à teoria platônica. Esta possibilidade tem como argumento a perspectiva segundo a qual Rawls defende uma justiça procedimental pura que, por meio da razão prática, pode-se chegar a instituições justas através de deliberação pública compartilhada.

          Para explicitar o acima citado, é interessante mencionar que na teoria platônica há  um modelo procedimentalista que parece influenciar a teoria rawlsiana quando esta articula aspectos teóricos e práticos. Portanto, este presente artigo tem como objetivo saber  se Rawls, ao tentar responder a questão do igualitarismo político através da intersubjetividade  e do seu procedimentalismo, retoma o aspecto da razão prática visto na filosofia de Platão.

          Aqui convém ressaltar que, embora Rawls pareça estar de acordo com a concepção platônica quanto aos aspectos acima mencionados, ele não parte de nenhuma doutrina moral abrangente e o que vai interessar aqui é o modelo procedimental constitucional da teoria de Platão, porquanto isto remonta a práxis onde, desta forma, as dicotomias são excluídas e o caráter holístico das teorias rawlsiana e platônica é acentuado.

      Em outras palavras, o que se objetiva saber é se o aspecto holístico da filosofia platônica vai auxiliar a endossar a possibilidade do modelo de justificação coerentista na justiça como eqüidade, levando em consideração: (i) a analogia em relação ao aspecto da construção dos princípios de justiça de maneira intersubjetiva; (ii) o procedimentalismo puro; (iii) o igualitarismo no sentido de que as pessoas modelam e são modeladas pela sociedade; (iv) a ausência de pressupostos conceituais em termos de justiça; (v) o tratamento em relação à sociedade como algo que forma um todo irredutível conforme um sistema de inter-relações entre indivíduos. Portanto, estes aspectos, possivelmente, apontam que a influência da filosofia de Platão é um elemento fundamental de corroboração para se mostrar que a justificação utilizada por Rawls em sua teoria  é do tipo coerentista.  Para tanto, tem-se como amostragem, de uma forma aleatória, alguns fragmentos das obras de Platão tais como: Fédon, Hípias Maior, Cármides e A República.

 

Continuación del artículo en Word

 

[2] Dentre eles Onora O’Neill

[3] Doutrinas Compreensivas: são doutrinas filosóficas, morais ou religiosas que englobam os diversos aspectos da existência humana.

 

        

________________

© ELNORA GONDIM

Mestre em Filosofia/PUCSP

Doutoranda em Filosofia/PUCRS

Professora de Filosofia/UFPI

Email: elnoragondim@yahoo.com.br

 

 © Revista Lindaraja. nº 23. 

13 de agosto de 2009.

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